24 GW de novo potencial fotovoltaico! Você acredita?

Os países membros da ASEAN poderiam desbloquear 24 GW de nova capacidade solar e 5,6 GW de nova capacidade eólica na região, investindo mais em infraestrutura de rede.
Esta é a principal conclusão do mais recente relatório regional da Ember Climate, que identifica as deficiências na infraestrutura da rede elétrica da região e explora os benefícios de um maior investimento em transmissão para Energia limpa.
O relatório, intitulado "Uma Rede Rentável: As Redes São a Chave para Desbloquear o Investimento em Energia na ASEAN", afirma que a insuficiência da capacidade disponível nas redes elétricas é um grande obstáculo para os países da ASEAN garantirem a segurança do abastecimento energético e alcançarem as metas globais de combate às mudanças climáticas.
Por exemplo, a Agência Internacional de Energia (IEA) relata que, até 2030, a região precisará adicionar 100.000 km de linhas de transmissão para atender à crescente demanda de energia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. No entanto, os países da ASEAN estão planejando atualmente menos da metade dessa meta.
A Indonésia lidera a região com mais de 20.000 km de novas linhas de transmissão anunciadas, mas apenas o Vietnã (com mais de 11.000 km de novas linhas planejadas) é o único outro país a anunciar mais de 10.000 km de novas linhas.
O Vietnã tem atraído muita atenção como líder na ASEAN. Energia renovávelO setor é promissor, mas a construção da sua rede elétrica está seriamente atrasada. O Vietnã possui 23 GW de capacidade eólica e solar (em comparação com seus 35 GW de capacidade de combustíveis fósseis, o melhor equilíbrio entre energias renováveis e combustíveis fósseis no Sudeste Asiático), mas foi forçado a reduzir a utilização de sua maior usina. Usina de energia solar em 40% em 2022 devido à falta de mecanismos de precificação e à capacidade insuficiente da rede elétrica.
Em expansão solar e Armazenamento de energia capacidade
O Vietnã demonstra vividamente a importância de investir tanto em capacidade de energia renovável quanto em infraestrutura de transmissão, algo que, segundo o relatório da Ember, é extremamente deficiente em muitos países da ASEAN.
Por exemplo, apenas Camboja, Malásia e Singapura assinaram o Compromisso Global de Armazenamento de Energia e Redes Elétricas. O acordo, anunciado na cúpula COP29, visa atingir a meta global de adicionar 1.500 GW de capacidade de armazenamento de energia e 25 milhões de quilômetros de infraestrutura de rede até 2030.
A capacidade da rede elétrica tradicional e as instalações de armazenamento de energia são frequentemente vistas como duas alternativas para garantir a segurança energética, mas esses dados mostram que os países da ASEAN como um todo podem ter dificuldades para atingir qualquer um dos objetivos à medida que a demanda por energia aumenta.
O fortalecimento da capacidade da rede elétrica é um pré-requisito importante para que os países da ASEAN construam novas instalações de geração de energia e atendam melhor à demanda interna de energia. A figura acima mostra que a geração de energia doméstica na maioria dos países da ASEAN não consegue suprir a demanda anual de energia.
De fato, a maior parte da demanda de energia da região ainda depende de combustíveis fósseis, e a geração de energia a carvão quase dobrou entre 2015 e 2024. Os dados da Ember também mostram que, até 2030, a demanda anual total de energia da região deverá atingir 1.626 TWh, tornando imprescindível a expansão da capacidade de geração de energia.
Na última década, os projetos de energia eólica e solar superaram a geração de energia a gás em termos de eficiência, indicando que as tecnologias de energia renovável serão essenciais para atender ao crescimento da demanda energética regional. Entre 2014 e 2024, a geração de energia a gás aumentou ligeiramente, de apenas 377,9 TWh para 387,4 TWh, enquanto a geração de energia eólica e solar aumentou mais de dez vezes, de 4,1 TWh para 61,4 TWh em dez anos.
O relatório também destacou que, até 2030, a geração de energia eólica e solar deverá representar de 23% a 25% da matriz energética da ASEAN, um aumento significativo em relação à proporção atual. Dada a volatilidade da geração de energia renovável, a transição para a eletricidade limpa evidenciará ainda mais a necessidade urgente da região por uma infraestrutura de rede eficiente.
Argumento de valor comercial
Apesar desses desafios, os novos investimentos em energias renováveis e armazenamento de energia ainda apresentam forte valor comercial. Dentre eles, a contínua queda no custo nivelado da energia (LCOE) das energias renováveis é a vantagem mais convincente. O relatório da Ember apontou que, na década encerrada em 2020, os custos da energia eólica, da energia solar e do armazenamento de energia em baterias caíram 55%, 85% e 85%, respectivamente.
No entanto, a estrutura monopolista da gestão da rede elétrica dificulta a plena concretização dessas vantagens econômicas. Tomemos a Indonésia como exemplo. Sua operadora de rede detém o monopólio dos negócios de transmissão e distribuição, o que resulta em falta de incentivo para a modernização da rede. A principal responsabilidade da empresa de energia do país é apenas garantir o fornecimento de energia, em vez de otimizar a estrutura energética, o que levou a uma dependência de longo prazo dos combustíveis fósseis. Entre 2018 e 2023, apenas 0,6 TWh de energia solar e 0,3 TWh de energia eólica serão adicionados à rede da Indonésia. O think tank indonésio IESR chegou a apontar que a implantação de energia solar no país é "seriamente insuficiente".
O relatório defende a utilização de mecanismos financeiros, como parcerias público-privadas, ou modelos de cooperação internacional, como o projeto de modernização da rede elétrica do Camboja, apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, para estimular o investimento na rede. Os autores do relatório da Ember acreditam que esse investimento, em última análise, melhorará a segurança energética e trará benefícios financeiros para os países da região.
"As redes elétricas fazem mais do que apenas distribuir eletricidade", disse a Dra. Dinita Setyawati, analista sênior de energia da Ember e principal autora do relatório. "Na ASEAN, redes mais fortes e interconectadas levarão a um mercado de energia renovável próspero. Elas conectarão países, revitalizarão comunidades e levarão energia limpa aos cantos mais remotos."
"A modernização da rede elétrica, aliada a tecnologias limpas e flexíveis, criará uma base mais sólida para a transição da ASEAN rumo a um futuro energético renovável."











